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Empregos gráficos despencaram no segundo trimestre, mas há expectativa de estabilidade

No segundo trimestre, a indústria gráfica brasileira realizou 14.905 contratações e 19.299 demissões. O saldo revela um corte líquido de 4.394 postos de trabalho formais, enquanto no segundo bimestre do ano anterior o recuo havia sido de 985 postos. Os segmentos editorial (impressão de livros e revistas) e promocional responderam por 67% dos desligamentos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e traduzem o pior resultado da série desde 2008.
Com esse novo encolhimento, o setor fechou o semestre com 206.562 empregos ativos, resultado da forte retração de vagas que ocorre desde o início do ano. A situação é reflexo do difícil quadro de queda na produção física e do aumento no custo da mão de obra em níveis superiores à inflação e à variação de preços finais.
Para se tornar competitiva, a indústria precisa manter os níveis salariais alinhados com os ganhos de produtividade e, no entanto, mão de obra foi o insumo que mais subiu em 2014, de acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
“Esse descolamento exige que as empresas operem com um quadro de funcionários mais enxuto para refazer o equilíbrio, mas há perspectiva de interrupção das demissões ainda ao longo deste ano”, avalia Levi Ceregato, presidente nacional da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf). O otimismo explica-se: apesar de impactar o custo dos insumos, a alta do dólar encarece as importações e turbina a produção local, contribuindo para o futuro do emprego.