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GRÁFICAS SÃO REFÉNS DA INDÚSTRIA DO PAPEL, QUE VOLTA A SUBIR OS PREÇOS

Aumentos anunciados em 2018 ultrapassam 20%. Produtos gráficos também terão aumentos.

Os sucessivos aumentos anunciados pela indústria de papel e celulose, que desde janeiro do ano passado já ultrapassaram a surpreendente marca de 40%, frente a uma inflação oficial acumulada em torno de 4,5% no mesmo período, fortalecem um movimento dos empresários do setor gráfico junto ao governo federal para reduzir as alíquotas de impostos do papel importado e também daquele produzido no Brasil. Só em 2018, o aumento médio anunciado já ultrapassa 20%. Os segmentos gráficos de embalagens, editorial e cadernos foram os mais afetados. “O papel representa, na maioria dos produtos, mais da metade do custo das gráficas. Livros, folhetos, cadernos e embalagens de papel cartão vão subir de preço e não há como não repassar esse aumento para o cliente, aumentando a conta para o consumidor final”, alerta Sidney Anversa Victor, presidente da Associação Brasileira da Indústria Gráfica – Regional SP (Abigraf SP).
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Justificativas

Os fabricantes justificam os seguidos aumentos por conta do preço da celulose no mercado internacional. Porém, deve-se considerar que todo papel fabricado no Brasil têm sua origem na celulose de florestas plantadas no próprio país. Além disso, os fabricantes nacionais de papel alegam ter capacidade fabril para atender toda a demanda do mercado interno, inclusive de papel couché e o Brasil também é um dos maiores exportadores de celulose do mundo (beneficiando-se, nesse caso, da desvalorização cambial). Portanto, a justificativa dos fabricantes nacionais de papel não faz nenhum sentido do ponto de vista dos custos. O governo deve agir e cumprir a sua função de agente regulador no mercado quando ocorram distorções significativas, assim como fez na recente crise dos preços dos combustíveis, para que o abastecimento do mercado brasileiro tenha como base os custos internos de produção de celulose e papel.

Representantes da Abigraf, entidade patronal que reúne os empresários do ramo gráfico, argumentam que os reajustes inviabilizam o crescimento do setor e impactam negativamente toda a cadeia produtiva (tintas, vernizes, chapas de alumínio etc) impossibilitando contratações e investimentos na aquisição de novos equipamentos. O setor gráfico está em crise desde 2012, registrando sucessivas quedas na atividade produtiva e redução de quase 20% no número de trabalhadores contratados, o que significa menos 40 mil empregos diretos. A expectativa de crescimento do setor registrada no início do ano não existe mais. “A crise continua. A Selic caiu, mas os juros bancários não. A alta do dólar e o aumento absurdo do papel e do frete estão sufocando os empresários do setor”, ressalta o presidente da Abigraf SP.

Competitividade

Empresários do setor gráfico retomarão a agenda de negociação com representantes do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços para a adoção de medidas que aumentem a competitividade setorial e reduzam a alíquota de importação de papéis de imprimir e escrever, procurando aumentar a oferta deste insumo no país, o que faria com que os fabricantes nacionais revissem a política de preços. “A indústria do papel é um oligopólio e sem a intervenção do governo, haverá reflexos na inflação em curto prazo”, afirma Sidney Anversa Victor. O dirigente ressalta que o governo federal também tem a opção de reduzir a carga tributária incidente nos chamados "papéis comerciais", aqueles que não são destinados à fabricação de livros, jornais e periódicos.

Essas medidas teriam um ótimo efeito colateral, pois diminuiriam a prática ilícita de desviar o “papel imune”, que é livre de impostos, para a produção comercial, gerando, inclusive, ganhos em todas as esferas de governo com o consequente aumento na arrecadação de impostos, uma vez que recolheriam alíquotas menores, porém, sobre uma base bem maior de transações comerciais.

Informações à Imprensa:
Fábio Behrend: (11) 97438.8182 fabiobehrend@gmail.com